Vício em comida

Artigos

Uma discussão em pauta nos dias atuais é se a comida vicia. Isso porque alguns alimentos agem nos mesmos locais (cérebro) que o álcool e drogas, porém um aspecto importante do vício é que quando a pessoa é exposta à substância ao qual é viciada , ela tende a querer cada vez mais. Porém, estudos com pessoas “viciadas em comida”, cujo tratamento é fazer com que elas comam o alimento pelo qual são “viciadas”, resultam em uma melhora importante do comportamento, diferente de álcool e drogas.

O vicio/dependência a substâncias são classificados de acordo com alguns critérios (segundo o manual de diagnóstico de doença mental da American Psychiatric Association), sendo a abstinência e crise de abstinência características marcantes no quadro – Diferente nos casos de “vício alimentar”, até porque comer apresenta um processo peculiar de habituação.

Interessante notar que os alimentos “viciantes” são justamente aqueles considerados ruins” e “proibidos. E estudos demonstram que, quando comemos um alimento considerado proibido isso aumenta ainda mais o estímulo na área do cérebro relacionada com prazer e recompensa. Deste modo um ciclo se instala: a pessoa evita o alimento por ele ser “ruim, mas sabe que ele dá um prazer enorme. Quando o come, o faz vorazmente, podendo perder o controle e exagerar.

Deve-se priorizar o consumo de alimentos frescos, in natura e quando for comer algo de que gosta muito, independente da qualidade, deve saborear intensamente, satisfazer vontades sem culpa, não criar impedimentos e não gerar proibições.

A abordagem de uma nutrição que trabalha com comportamentos e atitudes não reforça e não acredita que se pode rotular comida como “viciante”, por ser algo que é suporte para vida e que não está inserido apenas em um contexto biológico – A comida está envolvida nas relações interpessoais, na identidade cultural, em outros aspectos socioculturais e psicoemocionais.

 

Fonte: Leandra Giorgetti, nutricionista mestre pela Unicamp e especialista em Nutrição Esportiva

 

Para saber mais:

Ziauddeen et al. Is food addiction a valid and useful concept? Obes Rev. 2013;14(1):19-28. 

Schulte et al. Which Foods May Be Addictive? The Roles of Processing, Fat Content, and Glycemic Load. PLoS ONE , 2015; 10(2): e0117959.

Kristeller JL, & Wolever RQ. Mindfulness-based eating awareness training for treating binge eating disorder: the conceptual foundation. Eating disorders, 2001; 19 (1), 49-61.
Godfrey et al. Mindfulness-based interventions for binge eating: a systematic review and meta-analysis. J Behav Med. 2015;38(2):348-62.

 

Publicado em 15 maio de 2018