Saúde na gestação

Artigos

A gestação é um período de intensas mudanças fisiológicas, e ao mesmo tempo de alta vulnerabilidade biológica. As justificativas para tais modificações são essenciais pois proporcionarão regulação do metabolismo materno; promoção do crescimento fetal; preparação para o parto e ao período da amamentação, também conhecido com Lactação.

A saúde materna e o estado nutricional durante a gestação e a lactação apresentam efeitos em longo prazo sobre os sistemas centrais e periféricos que regulam o balanço energético dos filhos, conforme estudos clínicos realizados. Durante o desenvolvimento, o bebê é exposto a dois ambientes: o primeiro, que é o intrauterino (sabe-se que recebe todos os estímulos que a mãe, desde a alimentação, fatores psicossociais, ambiente, atividade física e outros), e segundo que é o externo ou pós-natal (sofre influência, modulação). Dessa forma, os hábitos nutricionais maternos no período gestacional, assim como os estados nutricionais (desnutrição, eutrofia, sobrepeso ou obesidade) apresentam grande influência sobre ambos os ambientes e possuem efeitos cruciais sobre a regulação do balanço energético, apresentando um papel fundamental no crescimento e desenvolvimento de seus filhos.

As evidências são claras ao destacar a importância do aleitamento materno, não somente para o bom crescimento, imunidade e desenvolvimento do bebê, mas também como fator preventivo contra a obesidade infantil. Estudos sugerirem que crianças não amamentadas, as quais fizeram o uso de fórmulas infantis precocemente, apresentem maiores chances de desenvolver diabetes tipo II, obesidade, e também, doenças cardiovasculares, pressão alta e/ou alterações nos níveis de colesterol (bom e ruim).

Os aspectos sócio-culturais muito têm influenciado a prática do aleitamento materno. O ato de amamentar é um ato natural, milenar, sem custo, essencial para a vida dos seres humanos. Minimiza a fome, salva vidas e faz o indivíduo crescer não só biologicamente, como também emocionalmente. Porém, ao longo dos anos vem sofrendo diversas influências sociais, econômicas e culturais em decorrência da incorporação de novos costumes pela sociedade.

O aleitamento materno traz benefícios tanto para o bebê, quanto para nutriz, mas mesmo assim sua prática está muito aquém do que se é esperado e  recomendado pelas      organizações internacionais e nacionais, ou seja, de forma  exclusiva até os seis meses e complementar a outros alimentos até os dois anos de  idade ou mais (WHO, 2007; BR ASIL, 2008).

O leite materno contém: proteína e gordura mais adequadas para a criança e na quantidade certa; mais lactose (açúcar do leite) do que a maioria dos outros leites, o que preenche as necessidades da criança; vitaminas em quantidade suficiente; ferro em quantidade suficiente; água em quantidade suficiente, mesmo em clima quente e seco; quantidades adequadas de sais, cálcio e fosfato; enzima especial (lípase) que digere gorduras.

– COLOSTRO:

Produzido entre o 1º ao 5º dia após o parto, e tem uma aparência amarelada e espessa.

As diferenças entre os diferentes tipos de leite em relação à composição, reforçando a importância do leite materno ao bebê.

 

Fonte: Dra. Daniella Fernandes Camilo de Paiva – Nutricionista clinica, Ms e Doutoranda em Saúde da Criança e do Adolescente – Faculdade de Medicina UNICAMP e Especialista em Nutrição Infantil UNIFESP.

Publicado em 28 junho de 2018