Alimentação no Transtorno do Espectro Autista

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Muitos estudos têm correlacionado a alimentação saudável com a melhora dos sintomas comportamentais de crianças e adolescentes com autismo. Legumes, verduras e frutas contêm vitaminas, minerais e fito nutrientes essenciais para melhorar e manter a saúde mental e física.

A proteína é necessária para fornecer aminoácidos, que são os blocos de construção dos neurotransmissores e de muitos outros aminoácidos e proteínas essenciais para o corpo. A redução do consumo de açúcar, assim como de cores e sabores artificiais, previne oscilações no nível de açúcar no sangue, que podem ser responsáveis pela irritabilidade, dificuldade de concentração e hiperatividade comuns nas crianças autistas.

Logo, dicas como: consumir de 2 a 4 porções de frutas, legumes e verduras por dia; consumir pelo menos 1 a 2 porções de proteína por dia, além de reduzir ou evitar o açúcar adicionado, o “junk food” e “fast food”, assim como alimentos fritos, cores e sabores artificiais e conservantes são fundamentais para melhorar o desenvolvimento infantil e sintomas como diarreia, constipação e outros.

Entretanto, a aceitação aos alimentos e a ingestão adequada de nutrientes podem ser dificultadas pela sensibilidade alimentar e pelas alergias. Nestes casos, a avaliação fonoaudiológica e médica são importantes para detectar possíveis reações alérgicas que ocorrem entre 1 ou 2 dias (imediatas ou tardias). As respostas da reação imediata variam de leves a graves e podem envolver urticária, problemas respiratórios como engasgo/chiado, diarreia, vômitos, tontura/sensação de desmaio ou mesmo reações graves, como anafilaxia. Nestes casos, as alergias por ovo, leite e amendoim são mais comuns. Grãos como trigo, centeio, cevada, aveia e milho também podem ser relacionados. Já para alergia alimentar tardia, os sintomas são tipicamente limitados ao trato gastrointestinal, mas podem envolver dores de cabeça, enxaquecas ou outras reações. Nestes quadros, a soja e os produtos lácteos são os alimentos alergênicos mais comuns.

O glúten (proteína presente no trigo, centeio, cevada, malte e aveia) e proteínas do leite de vaca (incluindo caseína, β lactoglobulina, α-lactoalbumina que estão presentes em todos os produtos lácteos, incluindo leite, iogurte, queijo, sorvete) podem causar desconfortos como gases, inchaço abdominal, diarreia e outros problemas relacionados ao comportamento como sonolência, tontura, desatenção/”zoneamento” e agressividade.

Em razão disso, há evidências de que dietas livres de glúten, caseína, milho e/ou soja podem gerar melhoras comportamentais em situações de isolamento social, contato visual, mutismo, habilidades de aprendizagem, hiperatividade e ataques de pânico a partir do terceiro mês de tratamento, que corresponderia à remoção desses alimentos alergênicos da dieta.

Porém, cabe ressaltar que cada caso deve ser avaliado individualmente em decorrência das peculiaridades sintomáticas, estilo de vida e preferências alimentares do paciente. A intervenção nutricional e alimentar, portanto, enfatiza a saúde da criança e do adolescente, a individualidade e a melhora dos sintomas comportamentais. O acompanhamento contínuo com fonoaudióloga e nutricionista permitirá o reconhecimento dos alimentos menos toleráveis e o suporte adequado de nutrientes para o crescimento e desenvolvimento do paciente com transtorno do espectro autista.

 

Fonte: 

Bruna Lessa, nutricionista da Clínica Ludens

Publicado em 26 julho de 2018